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A Morte de Cristo


 

A Morte de Cristo



Sermão pregado na manhã de Sábado, 24 de janeiro de 1858,
por Charles Haddon Spurgeon,
No Music Hall, Royal Surren Garden.


"Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão."
Isaías 53:10


QUE miríades de olhos estão lançando seus olhares para o sol! Que multidão de homens levantou seus olhos e observou as órbitas estelares do Céu! Elas são constantemente observadas por milhares – mas existe uma grande transação na história do mundo a qual merece todos os dias muito mais espectadores do que aquele sol que sai como um noivo, forte para iniciar sua corrida. Há um evento que atrai, todos os dias, muito mais admiração do que o sol, a lua e as estrelas conseguem, quando marcham em seus percursos. Esse evento é a morte do nosso Senhor Jesus Cristo – a isto os olhos de todos os santos que viveram antes da era Cristã sempre estiveram direcionados – e para trás, através dos milhares de anos de história, os olhos de todos os santos olham para ela! Os anjos no Céu olham constantemente para Cristo. "Coisas que até os anjos anseiam observar," (1 Pedro 1.12) disse o Apóstolo. Em Cristo os inumeráveis olhares dos redimidos estão fixados. E milhares de peregrinos, por esse mundo de lágrimas, não têm objeto melhor para sua fé, nem desejo melhor para sua visão do que ver Cristo enquanto ele está no Céu e em comunhão para observar a Sua Pessoa! Amados, teremos muitos conosco enquanto, nesta manhã, voltarmos a nossa face para o monte do Calvário. Não seremos espectadores solitários da temerosa tragédia da morte do nosso Salvador. Nós devemos lançar nossos olhares para o lugar que é o foco da alegria e do prazer do Céu – a Cruz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Tomando o nosso texto como guia, devemos visitar o Calvário, esperando ter a ajuda do Espírito Santo enquanto olhamos para Aquele que morreu na Cruz. Quero que vocês notem esta manhã, antes de tudo, a causa da morte de Cristo – "foi da vontade do Senhor esmagá-lo." "Foi da vontade de Jeová esmagá-lo," diz o original. "E fazê-lo sofrer." Em segundo lugar, a razão da morte de Cristo – "O Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa." Cristo morreu porque ele foi uma oferta pelo pecado. E depois, em terceiro lugar, os efeitos e as consequências da morte de Cristo. "Ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão." Venha, Espírito Sagrado, enquanto nós atentamos a falar sobre estes temas incomparáveis!

I. PRIMEIRO, nós temos aqui A ORIGEM DA MORTE DE CRISTO. "Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer." Aquele que lê a vida de Cristo como mera história, associa a morte de Cristo com a inimizade dos judeus e com o caráter inconstante do governador romano. Nisto ele age com justiça, pois a morte e o pecado da morte de Cristo devem bater à porta da humanidade. Essa nossa corrida torna-se um deicídio e matou o Senhor e pregou o seu Senhor em um madeiro! Mas aquele que lê a Bíblia com os olhos da fé – desejando descobrir os seus segredos – vê algo mais na morte do Salvador do que a crueldade romana ou a malícia judaica. Ele vê o decreto solene de Deus cumprido pelos homens, que foram os ignorantes, mas instrumentos culpados de sua realização! Ele olha para a lança e a haste romanas, para os insultos e zombarias dos judeus, para a Fonte Sagrada, da qual todas as coisas fluem e traçam a crucificação de Cristo ao peito da Deidade! Ele concorda com Pedro – "Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz." Não devemos imputar a Deus o pecado, mas ao mesmo tempo o fato, como todos os seus efeitos maravilhosos na redenção do mundo, de que nós devemos sempre traçar para a Fonte Sagrada do Amor Divino. Como faz o nosso Profeta. Ele disse, "foi da vontade de Jeová esmagá-lo." Ele despreza tanto Pilatos quanto Herodes, e traça para o Pai celestial, a primeira pessoa na Divina Trindade - "Foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer."

Agora, Amados, há muitos que pensam que o Deus Pai não é nada além de um espectador indiferente da salvação. Outros O difamam ainda mais. Olham para Ele como um Ser sem amor, severo, que não teve nenhum amor para com a humanidade e que só poderia se tornar amável através da morte e das agonias de nosso Salvador. Isso é uma difamação suja com a Graça justa e gloriosa do Deus Pai, a quem devemos sempre dar honra – pois Jesus Cristo não morreu para tornar Deus amável – Ele morreu porque Deus era amável! –

"Não foi para fazer o amor de Jeová,
Ao redor de Seu povo arder,
Que Jesus do Trono acima,
Um homem sofredor se tornou.
Não foi a morte que Ele suportou,
Nem todas as dores que Ele suportou,
Que o amor eterno de Deus procurou,
Pois Deus era amor antes."

Cristo foi enviado ao mundo pelo Seu Pai com consequência da afeição do Pai pelo seu povo. Sim, Ele "amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3.16) O fato é que o Pai decretou tanto a salvação, como tanto a efetuou, e deleitou-se tanto nela quanto o fez o Deus Filho e o Deus Espírito Santo! E quando nós falamos do Salvador do mundo, devemos sempre incluir nessa palavra, se falarmos em sentido amplo, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo – pois todos esses Três, como um só Deus, nos salvam de nossos pecados! O texto tira todo o pensamento pesado sobre o Pai ao dizer que foi da vontade de Jeová esmagar Jesus Cristo. A morte de Cristo leva ao Deus Pai! Vamos tentar ver isso.

1) Primeiramente, ela leva a um decreto. Deus, o único Deus do Céu e da Terra, tem o Livro do Destino inteiramente em Seu poder. Neste livro não há nada escrito pelas mãos de um estranho. A caligrafia do solene Livro da Predestinação é, do começo ao fim, inteiramente Divina. –

"Acorrentado a Seu trono está um volume,
Com todos os destinos dos homens-
Com todas as formas e tamanhos de anjos
Feitos pela pena eterna"

Nenhuma mão inferior esboçou sequer a mínima parte da Providência. Ela foi toda, do seu Alpha, ao seu Ômega, do seu prefácio Divino, ao seu final solene, marcada, projetada, esboçada e planejada pela mente do Sábio, Onisciente Deus. Portanto, nem mesmo a morte de Cristo está isenta disso! Aquele que levanta um anjo e guia um pardal; Ele que impede que os nossos cabelos caiam de nossas cabeças prematuramente, quando Ele se preocupa com coisas tão pequenas, para omitir em Seus solenes decretos a maior maravilha dos milagres da terra – a morte de Cristo! Não, a página daquele Livro manchada de sangue, a página que faz tanto o passado quanto o futuro serem gloriosos com palavras de ouro – essa página manchada de sangue, eu digo - foi mais escrita por Jeová do que por qualquer outro! Ele determinou que Cristo deveria nascer da Virgem Maria, que Ele deveria sofrer sob Pôncio Pilatos, que Ele deveria descer ao Hades, que da morte Ele deveria ressuscitar, levando cativo o cativeiro e em seguida reinar para sempre à direita da Majestade, nas alturas! Não, eu não sei nada além de que terei a Escritura para a minha justificação quando eu digo que essa é a verdadeira véspera da Predestinação e que a morte de Cristo é o verdadeiro centro e a mola principal pela qual Deus formou todos os Seus outros decretos – fazendo disso a essência e a pedra fundamental sobre a qual a arquitetura sagrada deveria ser construída! Cristo foi posto à morte pelo decreto previsto e solene de Deus Pais, e neste sentido, "foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer."
2) Mas um pouco mais adiante – a vinda de Cristo ao mundo para morrer foi o efeito da vontade e do prazer do Pai. Cristo não veio a este mundo por acaso. Ele se deitou no coração de Jeová diante de todos os mundos, eternamente deleitando-Se em Seu Pai e ser, Ele mesmo, a eterna alegria de Seu Pai. "Na plenitude dos tempos" (Efésios 1.10) Deus tirou o Seu filho de Seu seio, o Seu Filho unigênito, e livremente O enviou para nós. Este foi incomparável, inigualável amor, - que o Juiz permitiu que o Seu Filho sofresse as dores da morte para a redenção de um povo rebelde! Eu quero a imaginação de vocês para criar uma cena dos tempos antigos. Há um Patriarca barbudo que acorda de manhã cedo e acorda o seu filho, um jovem cheio de força, e ordena que ele levante e o siga. Eles saem de casa sem fazer nenhum barulho, antes que a mãe acorde. Eles partem numa jornada de três dias com os seus homens até chegarem ao monte sobre o qual o Senhor havia falado. Vocês conhecem o Patriarca. O nome de Abraão está sempre fresco em nossa memória. No caminho, esse Patriarca não troca uma só palavra com o seu filho. Seu coração está muito cheio para falar. Ele está sobrecarregado pela tristeza. Deus havia mandado que ele tomasse o seu filho, seu único filho, e mata-lo na montanha como um sacrifício. Eles vão juntos. E quem pode imaginar a imensurável angústia da alma desse pai, enquanto ele anda lado a lado com o seu filho amado, de quem ele será o executor? O terceiro dia chegou. Os servos são ordenados para ficar no sopé da montanha, enquanto eles vão subindo para adorar a Deus. Agora, pode alguma mente imaginar como o sofrimento desse pai supera todas as margens de sua alma, quando, enquanto ele subia, o seu filho disse, "As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?" Você pode imaginar como ele sufocou suas emoções e, com soluços, exclamou, "Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho"? Vejam! O pai comunicou ao seu filho o fato de que Deus demandara a sua vida! Isaque, que poderia ter lutado e escapado de seu pai, declara que ele deseja morrer se Deu havia decretado isso. O pai toma o seu filho, prende suas mãos atrás de suas costas, ajunta as pedras, constrói um altar, deita a lenha e tem o seu fogo pronto. E agora onde está o artista que pode pintar a angústia da contenção do pai, quando a faca está desembainhada e ele a segura – pronto para matar o seu filho?

Mas aqui a cortina cai. Agora a cena escura desaparece com o som de uma Voz dos Céus! O carneiro preso nos arbustos serve como substituto e a obediência da fé não precisa ir mais longe. Ah, meus Irmãos e Irmãs. Eu quero tirar vocês dessa cena e levar a uma muito maior. O que a fé e a obediência fizeram o homem fazer, esse amor obrigou Deus, Ele mesmo, a fazer! Ele tinha apenas um Filho, aquele Filho que era o deleite de Seu próprio coração. Ele convencionou a levar o Seu filho para a nossa redenção, para que Ele não quebrasse a Sua promessa, pois quando a plenitude dos tempos chegou, Ele enviou o Seu Filho para nascer da Virgem Maria e sofrer pelos pecados dos homens! Oh, você pode imaginar a grandeza desse amor, que fez o Deus eterno não apenas colocar o Seu Filho sobre o altar, mas realmente cumprir o que estava escrito e trespassar a faca sacrifical no coração de Seu Filho? Você pode pensar em quão esmagador deve ter sido o amor de Deus para com a raça humana quando Ele completou em ato o que Abraão fez apenas em intenção? Olhe e veja o lugar onde o Seu único Filho morreu na Cruz – a Vítima sangrenta da Justiça desperta! Isso é amor de fato! E aqui nós vemos como foi da vontade do Pai esmagá-Lo.

3) Isso me permite pressionar meu texto mais um passo adiante. Amados, não é apenas verdade que Deus tenha projetado e permitido com complacência a morte de Cristo – é mais verdade ainda que as imensuráveis agonias que vestiram a morte do Salvador com terror sobre-humano foram o efeito do pugilismo do Pai de Cristo de fato! Há um mártir na prisão – as correntes estão em seus pulsos e ainda assim ele canta. Foi anunciado a ele que amanhã será o dia da sua sentença. Ele bate as suas mãos alegremente e sorri, enquanto diz, "Amanhã será o trabalho cortante. Irei me alimentar sobre as tribulações de fogo, mas depois eu cearei com Cristo! Amanhã é o dia do meu casamento, o dia pelo qual eu há muito esperava – quando eu assinarei o testamento da minha vida por uma morte gloriosa." A hora chegou. O homem com as alabardas o precede pelas ruas. Note a serenidade no semblante do mártir! Ele vira para alguns que olham para ele e exclamam, "Eu valorizo estas correntes de ferro muito mais do que se fossem de ouro! É maravilhoso morrer por Cristo!" Existem alguns dos santos mais ousados recolhidos ao redor da estaca, e enquanto ele tira a suas vestes, antes de se colocar em frente ao fogo para receber a sua sentença, ele os diz que é algo tremendo ser um soldado de Cristo – poder dar o seu corpo para ser queimado. E ele acena com as mãos para eles e diz "Adeus," com alegre satisfação! Alguém poderia pensar que ele estava indo para o seu casamento, e não indo ser queimado. Ele fica diante do fogo. A corrente é colocada em seu meio. E depois de uma breve palavra de oração, assim que o fogo começa a ascender, ele fala com as pessoas com audácia viril. Mas ouçam! Ele canta enquanto a madeira estala e a fumaça sobe. Ele canta e quando suas partes baixas estão queimadas, ele continua cantando docemente algum Salmo antigo. "Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não temeremos, embora a terra trema e os montes afundem no coração do mar."

Imaginem outra cena. Lá está o Salvador indo para a Sua Cruz, totalmente fraco e abatido com o sofrimento. Sua alma está doente e triste com Ele. Não há Calma Divina ali. Seu coração está tão triste que Ele desmaia nas ruas. O Filho de Deus desmaia sob uma Cruz que muitos criminosos devem ter carregado. Eles O pregam na cruz. Não há nenhuma canção de louvor. Ele é erguido no ar e lá Ele permanece suspenso, preparando-se para a Sua morte. Você não ouve nenhum grito de exultação. Há uma compressão severa em Sua face, como se uma agonia indizível estivesse arrancando o Seu coração – como se mais uma vez o Getsêmani estivesse acontecendo na Cruz – como se a Sua alma ainda dissesse, "Meu Pai, se for possível, afasta de mim esta Cruz; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres" (Mateus 26.39) Ouçam! Ele fala. Ele não vai cantar as mais doces canções que já vieram dos lábios do mártir? Ah, não – é um terrível gemido de desgraça que jamais poderá ser imitado. "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" (Marcos 15.34) Os mártires não disseram que – Deus estava com eles. Antigos confessos não choraram tanto quando viram a morrer. Eles gritaram enquanto queimavam e louvaram a Deus em seu suplício. Por que isto? Por que o Salvador sofreu tanto? Por que, Amados, porque foi da vontade do Pai esmagá-lo! Esse brilho da Face de Deus que havia alegrado muitos santos a morrer foi tirado de Cristo! A consciência da aceitação com Deus, a qual havia feito muitos homens santos receberem a Cruz com alegria – não foi concedida ao nosso Redentor e, portanto, Ele sofreu em densa escuridão de agonia mental. Leia o Salmo 22 e aprenda o quanto Jesus sofreu. Pausem nas solenes palavras do 1º, 2º, 6º e seguintes versículos. Sob a Igreja estão os braços eternos. Mas sob Cristo não havia braço algum! A mão de Seu Pai colocou-se pesadamente sobre Ele. As pedras superiores e inferiores da Ira Divina O pressionaram e O esmagaram. E nem uma gota de alegria ou consolação foi concedida a Ele. "Foi da vontade de Jeová esmagá-lo e fazê-lo sofrer." Isto, meus Irmãos e Irmãs, foi o clímax da aflição do Salvador – que o Seu Pai virou-se Dele e O fez sofrer.

Assim eu expus a primeira parte do assunto – a origem do pior sofrimento de nosso Salvador, o prazer do Pai.

II. Nosso segundo tópico deve explicar o primeiro, caso contrário, seria um mistério insolúvel saber como Deus pôde fazer o Seu filho sofrer – o qual era perfeitamente Inocente – enquanto pobres falhos confessos e mártires não tiveram tal sofrimento vindo Dele no momento de suas tribulações. QUAL FOI A RAZÃO DO SOFRIMENTO DO SALVADOR? A nós é dito aqui, "o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa." Cristo foi assim perturbado porque a Sua alma foi uma oferta pelo pecado. Agora eu serei o mais simples que eu conseguir enquanto eu prego a preciosa Doutrina da Expiação de Cristo Jesus nosso Senhor. Cristo foi uma Oferta pelo pecado, no sentido de ser um Substituto. Deus queria salvar. Mas se tal palavra for permitida, a Justiça atou Suas mãos. "Eu devo ser Justo," disse Deus. "Essa é uma necessidade da Minha Natureza. Firme como o destino e rápido como a Imutabilidade é Verdade que eu devo ser Justo. Mas o Meu coração deseja perdoar – para passar pelas transgressões dos homens e perdoá-los. Como isso pode ser feito?" A sabedoria chegou e disse, "Assim deverá ser feito." E o Amor concordou com a Sabedoria. "Cristo Jesus, o Filho de Deus, deve ficar no lugar do homem e ser ofertado no Monte do Calvário no lugar do homem." Agora, notem – quando vocês veem Cristo sendo lançado na Cruz de madeira, você vê toda a companhia de Seus eleitos ali! E quando vocês veem os pregos cravados em Suas benditas mãos e seus pés, é todo o corpo da Sua Igreja que está lá, no seu Substituto, cravado na madeira! E agora os soldados levantam a Cruz e a colocam no suporte preparado para isso. Seus ossos estão, cada um deles, deslocados e Seu corpo está tão despedaçado de agonias que não se pode nem descrever! Esse homem sofrendo ali! Ali está a Igreja sofrendo no Substituto! E quando Cristo morre, você deve olhar para a Sua morte não como a Sua própria morte, mas como a morte de todos aqueles por quem Ele foi o Bode expiatório e o Substituto! É verdade, Cristo realmente morreu. É igualmente verdade que Ele não morreu por Si mesmo, mas como o Substituto, no lugar de todos os crentes. Quando vocês morrerem, vão morrer por si próprios. Quando Cristo morreu, Ele morreu por vocês, se vocês são crentes Nele! Quando vocês passem pelos portões da sepultura, vocês vão solitários e sozinhos. Vocês não são representantes de um corpo de homens – vocês passam pelos portões da morte como indivíduos – mas, lembrem, quando Cristo passou pelos sofrimentos da morte, Ele foi a Cabeça representativa de todo o Seu povo!

Entendam, então, o significado no qual Cristo foi feito Sacrifício pelo pecado. E aqui está a glória dessa questão – foi como um Substituto pelo pecado que Ele realmente e literalmente sofreu a punição pelos pecados de todos os Seus eleitos! Quando eu digo isto, eu não estou usando uma figura de linguagem ou algo do tipo, mas eu realmente quero dizer isto. O homem, pelos seus pecados, foi condenado ao fogo eterno. Quando Deus tomou Cristo para ser o Substituto, é verdade, Ele não enviou Cristo ao fogo eterno, mas derramou dor sobre Ele – uma dor tão desesperadora que foi um pagamento válido até para uma eternidade em chamas! O homem foi condenado a viver para sempre no Inferno. Deus não enviou Cristo para ficar no Inferno para sempre. Mas Ele colocou em Cristo uma punição que foi equivalente a isso. Embora Ele não tenha dado a Cristo o verdadeiro Inferno dos crentes, deu a Ele uma retribuição igual – algo que foi equivalente a isso! Ele tomou a taça da agonia de Cristo e colocou nela – sofrimento, miséria e angústia – tais que só Deus pode imaginar ou sonhar a respeito, que foram o equivalente a todo o sofrimento, toda a aflição e todas as torturas eternas de todos que devem ir ao Céu, comprados pelo sangue de Cristo! E você pergunta, "Cristo bebeu tudo isso por sua escória? Ele sofreu tanto assim?" Sim, meus Irmãos e Irmãs, Ele tomou o cálice e –

"Em um triunfante gole de amor,
Ele bebeu toda a condenação."

Ele sofreu todos os horrores do Inferno – uma saraivada de ferro caiu sobre ele com granizos maiores do que qualquer capacidade. Ele permaneceu até que a nuvem negra esvaziasse completamente. Ali estava a nossa dívida, gigante e imensa. Ele pagou até o último centavo de qualquer coisa que o Seu povo devia! E agora não há mais nenhum centavo devido à Justiça de Deus no caminho da punição de qualquer cristão! E embora nós devamos gratidão a Deus, embora devamos muito ao Seu amor – nós não devemos nada a Sua Justiça, pois Cristo, naquela hora, tomou todos os nossos pecados – passado, presente e porvir e foi punido por todos eles – não devemos jamais ser punidos porque Ele sofreu no nosso lugar! Vocês conseguem ver, agora, como foi que o Deus Pai O esmagou? Se ele não tivesse feito isso, as agonias de Cristo não poderiam ser um equivalente aos nossos sofrimentos. O Inferno consiste na ocultação da face de Deus dos pecadores e se Deus não tivesse escondido a Sua face de Cristo, Cristo não poderia – eu não vejo como Ele poderia – ter suportado qualquer sofrimento que poderia ter sido aceito como equivalente às aflições e agonias de Seu povo!

Eu acho que ouvi alguém dizer, "Você quer que nós entendamos esta Expiação que você nos pregou agora como um fato literal?" Eu digo, mais que solenemente, que sim! Existem no mundo várias teorias sobre a expiação – mas eu não consigo ver em nenhuma delas alguma Expiação, a não ser nessa Doutrina da Substituição. Muitos teólogos dizem que Cristo fez algo quando morreu, que permitiu que Deus fosse justo e ainda Justificador dos ímpios. O que foi esse algo eles não dizem para nós. Eles acreditam numa expiação feita para todos. Mas, no fim, a expiação deles é apenas isto – eles acreditam que Judas foi tão reparado quando Pedro – eles acreditam que os condenados no Inferno foram um objeto da satisfação de Jesus Cristo tanto quanto os salvos no Céu! E embora eles não digam isso com todas as palavras, eles ainda querem dizer isto – pois isto é uma inferência justa, que, no caso das multidões, Cristo morreu em vão – pois Ele morreu por todos, eles dizem. E foi tão sem efeito a Sua morte por eles, que embora Ele tenha morrido por eles, eles serão todos condenados depois! Agora, tal expiação, eu desprezo – eu rejeito! Posso ser chamado de Contra a Lei, ou Calvinista por pregar uma Expiação Limitada, mas eu prefiro acreditar numa Expiação Limitada que é eficaz para todos a quem ela foi destinada, a acreditar numa expiação universal que não é eficaz para ninguém, a não ser que a vontade do homem esteja de acordo com ela! Porque, meus Irmãos e Irmãs, se nós fôssemos salvos apenas para que através da morte de Cristo qualquer um de nós pudesse se salvar depois, a Expiação de Cristo não valeria um centavo, pois não há nenhum dentre nós que possa se salvar – não, ninguém no Evangelho! Se eu serei salvo pela fé – se essa fé for o meu próprio ato, sem a assistência do Espírito Santo, - eu serei tão incapaz de me salvar pela fé quanto de me salvar pelas boas obras! E depois de tudo, embora os homens chamem isto de Expiação Limitada, isto é tão eficaz quanto as suas redenções falaciosas e apodrecidas pretendem ser! Mas vocês conhecem o limite dela? Cristo comprou uma "multidão que homem nenhum pode contar." O seu limite é apenas esse – Ele morreu por pecadores. Qualquer um nesta congregação que se reconhece, interiormente e tristemente, como um pecador, Cristo morreu por ele! Qualquer um que deseja Cristo deve saber que Cristo morreu por ele! Nosso senso de necessidade de Cristo e nossa busca por Cristo são provas infalíveis de que Cristo morreu por nós! E notem, aqui está algo substancial – os Armínianos dizem que Cristo morreu por eles. E depois, pobres homens, eles não têm nada além de um pequeno consolo, pois eles dizem, "Ah, Cristo morreu por mim – isso não prova muita coisa. Isso apenas prova que eu serei salvo se me importar com o que serei depois. Eu posso, talvez, me esquecer de mim. Talvez eu corra para o pecado e pereça. Cristo fez um bom negócio por mim – mas não o bastante – a não ser que eu faça algo."

Mas o homem que recebe a Bíblia como ela é, diz, "Cristo morreu por mim, então a minha vida eterna está garantida! Eu sei," ele diz, "que Cristo não pode ser punido no lugar de um homem e o homem ser punido depois disso. Não," ele diz, "eu creio em um Deus justo, e se Deus é Justo, Ele não vai punir Cristo primeiro, e depois punir os homens. Não – o meu Salvador morreu e agora eu estou livre de qualquer exigência da vingança de Deus e posso caminhar por esse mundo em segurança. Nenhum raio pode me atingir, e eu posso morrer absolutamente certo de que para mim não haverá fogo nenhum do Inferno, pois Cristo, meu Resgate, sofreu em meu lugar, e, portanto, eu estou liberto!" Oh, Doutrina Gloriosa! Eu gostaria de morrer pregando isso! Que melhor testemunho podemos carregar com o amor e a fidelidade de Deus, do que o testemunho de um Substituto eminentemente satisfatório para todos os que creem em Cristo? Eu vou citar aqui o testemunho desse profundo teólogo, Dr. John Owen – "A Redenção é o livramento de um homem da miséria através da intervenção de um libertador. Agora, quando um libertador é pago para salvar um prisioneiro, a justiça não demanda que ele deve ter e aproveitar a liberdade comprada por ele com uma consideração valiosa? Se eu pudesse pagar mil libras pela liberdade de um homem da escravidão para aquele que o detém – quem tem o poder de libertá-lo e está contente com o preço que eu dei – não seria injusto para mim e para o pobre prisioneiro que a sua libertação não fosse concretizada? Pode, possivelmente, ser concebida a ideia de que existisse uma redenção aos homens, e os homens não fossem redimidos? Que um preço fosse pago e a compra não fosse consumada? Além disso tudo, ainda haveria verdadeiros e inumeráveis absurdos, se a redenção universal fosse aceita. Um preço é pago por todos, porém apenas alguns são libertos. A redenção de todos consumada, e ainda assim só alguns são redimidos? O juiz satisfeito, o carcereiro dominado, e os prisioneiros ainda na prisão? Sem dúvida, 'redenção' e 'universal', onde grande parte dos homens perece, são tão irreconciliáveis quanto 'Romano' e 'Católico.' Se há uma redenção universal, então todos os homens estão redimidos! Se eles estão redimidos, então eles estão livres de toda a miséria, virtual ou realmente, onde quer que tenham sido aprisionados, e isso pela intervenção de um libertador. Por que, então, não são todos salvos? Em uma palavra – a redenção feita por Cristo, sendo a libertação completa das pessoas de toda a miséria, em que foram enlaçadas, pelo preço do Seu sangue – não pode ser concebida como universal, a não ser que todos sejam salvos! Então a opinião dos Universalistas não serve para a redenção."

Eu paro mais uma vez, pois eu ouço uma alma tímida dizer – "Mas, Senhor, eu tenho medo de não ser um eleito e, se assim for, Cristo não morreu por mim." Pare, Senhor! Você é um pecador? Você sente isso? O Espírito Santo de Deus fez você se sentir um pecador perdido? Você precisa da salvação? Se você não precisa dela, não há dúvidas de que ela não foi prometida para você. Mas se você realmente sente que precisa dela, você é eleito de Deus! Se você tem o desejo de ser salvo, um desejo dado a você através do Espírito Santo, esse desejo é um sinal para o bem. Se você tem orado verdadeiramente pela salvação, você tem aí uma clara evidência de que você é salvo! Cristo foi punido por você. E se você sabe disso, você pode dizer –

"Nada em minhas mãos eu trago
Simplesmente à Tua Cruz eu me apego"

Você deve ter tanta certeza de que é eleito de Deus quanto tem de sua própria existência! Esta é a prova Infalível da Eleição – um senso de necessidade e uma sede de Cristo!

III. E agora eu tenho apenas que concluir considerando os BENDITOS EFEITOS da morte do Salvador. Nisto eu serei breve.

O primeiro efeito da morte do Salvador é, "ele verá sua descendência." Os homens serão salvos por Cristo. Os homens têm uma descendência pela vida. Cristo tem uma descendência pela morte! Homens morrem e deixam seus filhos e não veem a sua descendência. Cristo vive e todos os dias vê a sua descendência posta na unidade da fé! Um efeito da morte de Cristo é a salvação de multidões. Notem – não é uma salvação de chance. Quando Cristo morreu, o anjo não disse, como alguns o tem representado, "Agora pela Sua morte, muitos deverão ser salvos." A palavra da profecia extinguiu todos os "mas" e "talvez". "Pela Sua justiça, muitos serão justificados." Não havia nem um átomo de chance na morte do Salvador! Cristo sabia o que estava comprando quando morreu – e o que Ele comprou, Ele terá – nada mais, nada menos! Não efeito na morte de Cristo propensa a um "talvez". O "será" fez logo a Aliança! A morte sangrenta de Cristo irá efetuar o seu propósito solene. Cada herdeiro da Graça Divina irá encontrar no Trono –

"Irá bendizer as maravilhas de Sua Graça,
E tornar as Suas glórias conhecidas."

O segundo efeito da morte de Cristo é, "Ele prolongará seus dias." Sim, bendito seja o Seu nome, quando Ele morreu, Ele não acabou com a Sua vida! Ele não poderia ser como um prisioneiro no túmulo. O terceiro dia chegou e o Conquistador, levantando de Seu sono, desatou os grilhões da morte e saiu de Sua prisão, para não mais morrer.  Ele esperou os Seus 40 dias e depois com hinos sagrados, Ele "levou cativo o cativeiro e subiu ao alto." "Pois, quanto a ter morrido, morreu de uma vez para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus," (Romanos 6.10) para não mais morrer –

"Agora ao lado de Seu Pai Ele assenta,
E ali triunfante reina,"

O vencedor sobre a morte e o Inferno!

E, por fim, pela morte de Cristo o prazer do Pai foi efetuado e próspero. O prazer de Deus é que este mundo será um dia totalmente redimido do pecado. O prazer de Deus é que este pobre planeta, há tanto tempo mergulhado em escuridão, irá em breve brilhar como um sol nascente. A morte de Cristo fez isso! O ribeiro que fluiu ao Seu lado no Calvário limpará o mundo de toda a sua escuridão. Essa hora de escuridão no meio do dia foi o nascer de um novo sol de justiça que nunca cessará de brilhar sobre a Terra. Sim, está chegando a hora em que espadas e lanças serão coisas esquecidas – quando as armaduras da guerra e o esplendor da pompa serão todos deixados de lado para alimentar as minhocas ou para contemplação dos curiosos. É próxima a hora em que a antiga Roma tremerá sobre suas sete colinas! Quando o emblema de Maomé não mais será reduzido à cera – quando todos os deuses dos pagãos perderão os seus tronos e serão atirados às toupeiras e aos morcegos! E depois, do Equador aos Polos, Cristo será honrado, o Senhor supremo da Terra, de terra a terra, do rio até o fim do mundo! Um Rei irá reinar, um grito será levantado, "Aleluia, aleluia, o Senhor Deus Onipotente reina!" Então, meus Irmãos e Irmãs, será visto o que a morte de Cristo realizou, pois "a vontade do Senhor prosperará em sua mão." Amém. Amém. Amém.

QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESTE SERMÃO
PARA TRAZER MUITOS A UM CONHECIMENTO SALVADOR DE JESUS CRISTO.

tradução: Maria Eduarda Lyra

Márcio Melânia
http://lattes.cnpq.br/5648348525008521

"Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados,
sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco."
 (2 Coríntios 13 : 11)

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ESPÍRITO SANTO - aGENTE cAPACITADOR DA oBRA DE DEUS

Lição 4  - 24 de abril de 2011

Texto Áureo:  Lucas  24.49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.

Leitura Bíblica em Classe - Lucas 24.46-49; Atos 1.4-8

Lucas 24.46-49

 

SÓ OS HABILITADOS PELO ESPÍRITO DÃO FRUTOS DIGNOS

 

1. TUDO QUE É REAL NA OBRA É PELA AÇÃO DO ESPÍRITO

* É o Espírito que nos capacita persuadir almas para salvação - Lucas 24.46 E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos,  I Coríntios 2.4 A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;

* É o Espírito que nos capacita na pregação da palavra de Deus - Lucas 24.47 E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém.  2 Coríntios 3.5 Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus,

* É o Espírito que nos capacita para testificarmos de Cristo - Lucas 24.48 E destas coisas sois vós testemunhas.  Atos 10.42 E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.  

2. TODO PODER OPERANTE NA OBRA É AÇÃO DO ESPÍRITO

* Ele é o agente que equipa os santos com as promessas divinas - Atos 1.4 E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Lucas 10.19 Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum
* Ele é o agente que distribui os dons do poder divino em nós - Atos 1.5 Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. I Coríntios 12.11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
3. TODA A REVELAÇÃO E INSTRUÇÃO É AÇÃO DO ESPÍRITO

* É o Espírito que ampliou a compreensão de um reino universal - Atos 1.6 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? Marcos 16.15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
* É o Espírito que trabalha para inaugurar uma nova dispensação - Atos 1.7 E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mateus 24.36 Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.
* É o Espírito que comissiona os mensageiros por toda a terra - Atos 1.8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Romanos 10.15 E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.


Obs: O esboço é elaborado seguindo o texto bíblico da lição.

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel.nosso parceiro
Fonte
 

CONSIDERAÇÕES SOBRE O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Lição 3  - 17/04/2011

Texto Áureo:  Mateus 3.11 E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.

Leitura Bíblica em Classe - Atos 2.1-4,7,8 

Pomba Azul 1024x768 - Papéis de Parede | http://ultradownloads.uol.com.br/download/Pomba-Azul/206311...CONSIDERAÇÕES SOBRE O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO


1. É UM DOM DO DE ESPÍRITO DOADO AOS SEGUIDORES CRISTO

* Receber o dom exige fé, compromisso e perseverança - Atos 2.1 E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; Lucas 24.49a... E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
* Receber o dom é experiência mística de ordem elevada - Atos 2.2 E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. Atos 1.8
Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra
2. É UM PODER CONCEDIDO AO CRENTE QUE MILITA POR CRISTO

* Quem recebe esse poder tem a plenitude do Espírito - Atos 2.3 E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Atos 2.17 E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos
* Quem recebe este poder se liga a um poder superior - Atos 2.4 E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Marcos 16.17
E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas
3. É UM ATO QUE CAPACITA OS CRENTES A SERVIREM A CRISTO

* Os efeitos desse ato fazem a diferença na vida do crente - Atos 2.7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Atos 4.13 Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus
* Os efeitos desse ato mostram o quanto é útil para o crente - Atos 2.8 Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? I Coríntios 12.7
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil



Obs: O esboço é elaborado seguindo o texto bíblico da lição.

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel http://www.pastorguilhermel.com.br/licoes,biblicas,.htm

“O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO”

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 03 - DATA: 17/03/2011
TÍTULO: "O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO"
TEXTO ÁUREO – Mt 3:16
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: At 2:1-4, 7-8
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br



I – INTRODUÇÃO:

• A experiência do batismo com o Espírito Santo tem-se constituído numa das pedras basilares da doutrina pentecostal, como uma doutrina tanto bibliocêntrica quanto prática e experimental.


II - AS EXPRESSÕES "NOVO NASCIMENTO" e "BATISMO":

NOVO NASCIMENTO - É o mesmo que falar: NOVA CRIATURA, ou seja, expressão com que é designado o pecador que aceita a Cristo Jesus como Salvador. Em decorrência da regeneração, ele nasce de cima para baixo (nascimento vindo de Deus - Jo 1:12-13; I Jo 3:9; 4:7; 5:1); de dentro para fora e nasce, ainda, da água e do Espírito (Jo 3:4-5).
BATISMO = Imersão; mergulho; submersão. Logo, é a demonstração pública de ter feito alguma coisa, assumindo situação nova.


III - O QUE NÃO É BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO:

• (1) - NÃO É NOVO NASCIMENTO - Ambas as experiências são distintas. Observemos:
• (A) - Jo 15:3 - Só depois eles foram batizados com o Espírito Santo;
• (B) - Lc 4:17-20 - Jesus Cristo, não obstante tenha sido gerado por obra e graça do Espírito Santo, só aos trinta anos de idade foi ungido pelo Espírito Santo e capacitado para a Sua missão.


• (2) - NÃO É BATISMO "DO" ESPÍRITO SANTO - I Cor 12:13 - Refere-se a todos os crentes, os quais têm recebido vida por meio do Espírito Santo e desta maneira, passaram a formar parte do corpo místico de Cristo. Esta é a forma que tem Paulo de explicar o novo nascimento (Jo 3:7).

• No batismo "DO" Espírito Santo, o próprio Espírito é o batizador, imergindo o neoconvertido no corpo místico de Cristo, a Sua Igreja, e fazendo-o membro vivo e ativo desse corpo. ESSE BATISMO TEM LUGAR NO MOMENTO DA CONVERSÃO (Rm 6:3; Gl 3:27).

• Já no batismo "COM" o Espírito Santo, o batizador é Jesus, enquanto que o Espírito Santo é o elemento no qual o crente é imergido ou batizado (Mt 3:11; Jo 1:33; 15:26; At 1:5).

• (3) - NÃO É SANTIDADE - Não é uma apólice de seguro contra naufrágio espiritual, nem um salvo-conduto de posse do qual o crente pode abusar da bondade e misericórdia divinas.

• O crente, uma vez batizado com o Espírito Santo, deve estar atento às seguintes palavras do apóstolo Paulo (Ef 4:30; I Ts 5:19)


IV - O QUE É BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?:

• O batismo com o Espírito Santo é um ato de Deus, através de Cristo, pelo qual a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade vem sobre o crente e o enche plenamente. É a presença do Espírito Santo na vida do cristão, sua propriedade exclusiva.

• (1) - É O ÂMAGO DA EXPERIÊNCIA DO PENTECOSTE - Um verdadeiro pentecostal não é quem simplesmente pertence a uma denominação com esse nome, mas alguém que foi batizado com o Espírito Santo e continua a transbordar da Sua virtude.

• (2) - É O CUMPRIMENTO INTEGRAL E TOTAL DA PROMESSA DE DEUS PAI SOBRE A QUAL FALOU DEUS FILHO - Is 44:2; At 1:4 cf Jr 1:12

• (3) - É A UNÇÃO INDISPENSÁVEL A TODO CRENTE QUE, POSSUIDOR DA NATUREZA DIVINA, TEM O DEVER DE SER TESTEMUNHA DE CRISTO E DO SEU EVANGELHO POR TODOS OS LUGARES, ATÉ OS CONFINS DA TERRA - At 1:8.

• (4) - É O FLUIR DAS FONTES CRISTALINAS DA SALVAÇÃO QUE MANAM NA ALMA DO PECADOR PERDOADO PELA BONDADE DO SENHOR - Jo 7:38-39.


V - PROPÓSITOS DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO:

• O batismo com o Espírito Santo é uma experiência destinada a todos os crentes, independentemente do tempo e da denominação à qual estejam filiados. Mas quais os reais propósitos do batismo com o Espírito Santo? Dentre esses, atentemos para os seguintes:

• (1) – VIVER ABUNDANTEMENTE PARA DEUS - Jo 7.38-39 - Desde o momento do novo nascimento até a morte ou a glorificação, a vida do cristão deverá estar inteiramente identificada com o progresso espiritual, marcado pela submissão e comunhão com Deus. Evidentemente isto só será possível para o que está cheio e a transbordar do Espírito Santo (Ef 5.18).
 
• (2) – IDENTIFICAR A VIDA DO CRENTE COM CRISTO – Lc 4.18-19 - Disse A. B. Simpson, fundador da Aliança Bíblica Missionária:

• - "Primeiro, o Senhor nasceu pelo Espírito, e posteriormente iniciou Seu ministério no poder do Espírito Santo. Espero que, assim como o que santifica, como os que são santificados, sejam todos um. De igual maneira nós devemos seguir Seus passos e imitar Sua vida. Nascidos no Espírito nós também devemos ser batizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir Sua obra".

• (3) – PODER PARA TESTEMUNHAR - At 1.8 - A experiência da salvação do homem começa no Calvário, enquanto que o seu serviço inicia-se no Pentecoste, ou seja, com a experiência do batismo com o Espírito Santo.

• A finalidade deste batismo está prescrita na própria promessa de concessão: capacitar o crente para o trabalho divino. O cristão, pois, corre um sério risco, uma vez batizado com o Espírito Santo, se não assumir uma vida de compromisso com o testemunho cristão.

• Paulo tinha o dever de testemunhar de Jesus em tão elevada conta, que chegou a dizer: "... ai de mim, se não anunciar o evangelho" (1 Co 9.16).


VI – OS NOMES USADOS NA BÍBLIA PARA O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO:

• (1) - BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO - (Mt 3:11; At 1:5; 11:6 – A palavra batismo tem o sentido de mergulho, imersão, coisa que realmente condiz com a maravilhosa experiência quando se é imerso na plenitude do Espírito Santo).

• (2) - RECEBER A UNÇÃO – (I Jo 2:20, 27; Lc 4:18; At 10:38) – Esta expressão nos faz lembrar o ato da consagração dos sacerdotes (Ex 40:13-15), dos profetas (I Rs 19:16) e dos reis (I Sm 10:1; 16:13), através da santa unção (Ex 30:23-33). O crente no Novo Testamento é sacerdote e rei (I Pe 2:9; Apc 1:6) e, para ele, Deus tem promessa de uma unção especial: O Batismo com o Espírito Santo (II Cor 1:20-21).

• (3) - REVESTIMENTO DE PODER – (Lc 24:49 cf At 1:8) – Não se trata de poder intelectual ou físico, mas de poder de Deus (II Rs 2:9).
 
• (4) - SELO DA PROMESSA – (Jo 6:24) – A palavra SELO é aplicada em vários sentido que explicam a bênção do batismo com o Espírito Santo:

• O selo fala de PROPRIEDADE – Jesus sela a propriedade que comprou (I Cor 6:19-20; Ef 1:13);

• Um documento selado tem o seu VALOR AUTENCIADO – O decreto da salvação e o valor das promessas divinas estão selados pelo Espírito Santo (Ef 4:30);

• O selo fala de PROTEÇÃO – Pilatos o usou (Mt 27:66); o rei Dario também (Dn 6:17 cf Apc 7:3; 9:4). O elo do Espírito Santo é um sinal de proteção por parte dAquele que nos selou (II Cor 1:22).

• Um anel com sinete é SINAL DE AUTORIDADE – (Gn 41:42; Et 8:1-2; I Rs 21:8) – Simbolicamente, fala da autoridade celestial que o batismo com o Espírito Santo proporciona (At 1:8; 4:8, 20; 7:51-59).

• Assim, ser batizado com o Espírito Santo é uma necessidade imperiosa na vida de todo o crente que deseja ser usado por Deus no Seu serviço.


VII – CONSIDERAÇÕES FINAIS:

• A experiência do batismo com o Espírito Santo, apesar de ajudar-nos a viver abundantemente para Deus, de identificar-nos com Cristo e de comunicar-nos poder para testemunhar do Evangelho, não se constitui numa espécie de apólice de seguro em caso de naufrágio espiritual. Não!

• Mais que qualquer outro, o crente batizado com o Espírito Santo tem o sagrado dever de permanecer humilde na presença do Senhor, estudando a santa Palavra de Deus, orando e primando por viver uma vida santa diante de Deus e dos homens.

• O batismo com o Espírito Santo não comunica privilégio; transmite, sim e sobretudo, responsabilidade.



FONTES DE CONSULTA:


1. Dicionário Teológico – CPAD – Claudionor Corrêa de Andrade
2. Lições Bíblicas Maturidade Cristã – CPAD – 3º Trimestre de 1988 – Comentarista: Raimundo de Oliveira
3. Lições Bíblicas Maturidade Cristã – CPAD – 4º Trimestre de 1989 – Comentarista: Estêvam Ângelo de Souza
4. Teologia Sistemática Vol 2 – CPAD – Eurico Bergstén
5. A Doutrina Pentecostal Hoje – CPAD – Raimundo f. de Oliveira
6. A Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD

O BATISMO CRISTÃO E SUAS DIFERENTES ABORDAGENS DOUTRINÁRIAS

O BATISMO CRISTÃO


Batismo é o rito de ingresso na Igreja de Jesus Cristo. Esta é uma definição simples e que os evangélicos, em sua maioria, concordam.

Calvino definiu o batismo da seguinte forma: "É O sinal visível da graça invisível".  De graça invisível entenda-se a operação interior do Espírito Santo, quanto ao sinal visível obviamente é a aplicação simbólica e externa do que aconteceu no interior da pessoa.

Esse Sacramento tem dado margem, quanto à sua interpretação, a calorosas discussões teológicas. As divergências aparecem basicamente em duas direções:

1- Quanto ao Modo de aplicar o Batismo;
2- A Quem aplicar o Batismo.

1- MODOS DE APLICAÇÃO DO BATISMO

Existem três formas de se aplicar o batismo: a) Imersão; b) Aspersão; c) Efusão.

A igreja Presbiteriana do Brasil, sendo uma igreja confessional, não tem se furtado em assumir suas posições teológicas. Quanto ao modo de aplicação do batismo pratica somente a Aspersão mas aceita como forma também válida a Imersão, não fazendo nenhum tipo de restrição para receber alguém que tenha sido batizado por Imersão como membro da IPB.

 

CONTROVÉRSIAS QUANTO À FORMA DE BATISMO

Não existe nenhuma prova clara e irrefutável na palavra de Deus que defenda esta ou aquela forma de batismo. Na ratificação do Sacramento do Batismo (Mt 28:19), não está determinada a forma de aplicação, nem mesmo de forma implícita, como querem os imersionistas.

Algumas pessoas têm defendido "com unhas e dentes" o batismo por imersão, dizendo ser esta a única forma "bíblica" de aplicação do sacramento, baseando-se em alguns pressupostos que passaremos a demonstrar:

a)  TESE DA LINGUÍSTICA: Afirmam que no grego a palavra batismo "Bapto e Baptizo", significam exclusivamente Imergir. Vale salientar que estes verbos, no grego, não eram usados com sentido religioso, além disso, o grego que geralmente é utilizado para tal argumentação  - o Grego Clássico -, não foi o grego usado para escrever a bíblia e sim o grego popular, conhecido como Koinê. ANTÍTESE: Em Hb 9:10 conforme Hb 6:2, é usado o mesmo termo para denotar as Abluções do ritualismo judaico. Em Lc 11:38 onde também aparece o termo, mostra claramente que ele nem sempre significa imergir. Como os Judeus faziam tal batismo? (Mc 7:4).

b) A TESE DA SUPOSTA IMERSÃO JOANINA: O fato de "entrar ou sair da água" (Mt 3:16) leva os imersionistas a concluírem que houve imersão. Tudo na base da dedução. ANTÍTESE: Não se pode desprezar o fato de que a Lei e os Profetas duraram até João (Mt 11:13), quando todos os ritos mosaicos eram feitos pela Aspersão (Nm 8:7, 19:13 e 18; Hb 9:19; Ez 36:25). Concluímos, portanto, que João não conhecia a imersão, e se por acaso a utilizasse não seria aceito.

ALGUMAS JUSTIFICATIVAS PRESBITERIANAS PARA O BATISMO POR ASPERSÃO


a) O Espírito Santo foi derramado quando do Batismo da Igreja (At 2:17, 18:32,33; Tito 3:5). João Batista afirmou que o Messias "batizará com o Espírito"(Mc 1:8). A promessa se cumpre em Atos 2:3, mas não houve Imersão, o Espírito foi derramado. Não somos batizados no Espírito, mas pelo Espírito;

b) O batismo de Paulo definitivamente não foi por imersão (At 9:18,22,16);

c) As abluções traduzidas por batismo (Hb 9:10) referem-se às aspersões do cerimonialismo judaico, onde as águas das purificações eram aspergidas sobre o contaminado (Hb 9:19-22). Se o batismo é sinal da Nova Aliança, concretizada com o derramamento do sangue de Jesus, deverá ser como o foi na Velha Aliança: por Aspersão (Hb 8:6);

d) No batismo pelo mar e pela nuvem (1 Cor 10:1-2)  cabe imersão?;

e) Os três mil batizados (At 2:41).

f) O batismo do carcereiro de Filipos (At 16:32-34). haveria um rio ali?

g) O batismo de Cornélio (At 10:22,47). Podemos enxergar aqui possibilidade de imersão?;

h) O batismo dos discípulos de João (At 19:5).


2- A QUEM APLICAR O BATISMO?

Com certeza começa aqui um dos pontos mais polêmicos do nosso estudo. Absurdo para uns, bênção de Deus para outros. Rogamos a Deus que nos oriente. Queremos ainda chamar a sua atenção para fixar os olhos e pensamentos única e exclusivamente nas Escrituras Sagradas, única fonte que podemos tomar como referencial de nossos pensamentos doutrinários.

Antes de qualquer coisa, devemos nos familiarizar com alguns termos peculiares ao estudo do Sacramento do Batismo:

a) Pedobatistas - Que batizam crianças;

b) Anti-Pedobatistas - Que são contra batismo de crianças;

Definidos alguns termos, agora perguntamos: A quem deve ser administrado o Batismo?

A nossa resposta é:

a) Aos adultos (entenda-se os legalmente capazes de professar fé);

b) E às crianças, filhas de pais crentes ou a todos quantos estiverem sob sua tutela.

Quanto à primeira parte da resposta (aos adultos capazes de professar fé), não existe nenhum problema;  todos os evangélicos concordam,  mas é sobre a segunda parte da resposta (as crianças) que nos deteremos, por motivos óbvios.

Em primeiro lugar, queremos desmistificar o seguinte: O batismo de crianças, administrado pelos Pedobatistas Protestantes, onde está incluída a IPB, é totalmente diferente do batismo de crianças administrado pela Igreja Católica Romana. A igreja Católica Apostólica Romana acredita que o batismo tem efeito regenerador, isto é, acredita na Regeneração Batismal, daí a expressão "morreu pagão", quando uma criança morre sem ter recebido o batismo. Já as igrejas protestantes pedobatistas  são, categoricamente, contra esse ensinamento, pois o Batismo não tem, por si só, poder de regenerar.


É possível provar biblicamente que filhos de crentes devem ser batizados?

Sim.  Na velha dispensação Deus fez um pacto com o Abraão (circuncisão) e, neste pacto, os seus filhos deveriam ser incluídos, passando a gozar de todos os seus benefícios (Gn 17:9-14). Não somente os filhos deveriam ser incluídos mas, também, todo aquele que estivesse sob sua tutela e responsabilidade. Na velha dispensação as crianças eram aceitas e faziam parte do povo de Deus (Gn 12:1-3; Gn 17; Dt 29:10-1 3).

Queremos chamar sua atenção para o fato de que no Novo Testamento ou nova dispensação, o direito de pertencer à Igreja, ao povo de Deus, foi confirmado às crianças. Vejamos o que Pedro diz aos pais crentes da Igreja Primitiva (At 2:39-41). O apóstolo Paulo confirma nosso pensamento acima em 1 Cor 7:14, onde conta os filhos (de qualquer idade) como membros da Igreja de Cristo. Vejamos o que Paulo chama de santo, na maioria das vezes (1 Cor 1:2; Ef 1:1; Col 1:2).

Existem provas Bíblicas que a Circuncisão tenha sido substituída pelo batismo?

Isso se evidencia pelo fato de Paulo denominar o batismo cristão de "circuncisão de Cristo" (Col 2:11,12), sem contar que essa substituição é patente, porque esses ritos têm o mesmo significado: a entrada no povo de Deus ou na igreja visível de Deus (Gn. 17; At. 2:41).

Existem também muitas provas históricas de que o Cristianismo Primitivo batizava crianças, como por exemplo, Justino Mártir, que escrevendo por volta do ano 150, faz menção de pessoas de sessenta e sete anos de idade que haviam sido batizadas na infância. Esses batismos de crianças foram realizados antes do ano 100, e, portanto, dentro da Era Apostólica. Origens por volta do ano 230 refere-se a batismo de criança. E mais, o Pedobatismo era comum no Cristianismo Primitivo, pois existem registros do Concílio de Cartago, do ano 252, de que foi feita uma consulta aos conciliares, no que diz respeito ao batismo de crianças com menos de oito dias de nascida.

Em todos os pactos que Deus fez com o Seu povo, os pais sempre como legítimos representantes dos filhos (Rm. 5:19; Gn. 9:8,9; 17:7; At. 2:39).

TENTATIVAS DE REFUTAÇÃO AO PEDOBATISMO

Uma refutação muito usada é que não existe na bíblia mandamento para batizar crianças. Defesa: Lembramos que também não existe para guardar o Domingo e para administrar Santa Ceia às mulheres.

Outra refutação é que a exigência bíblica para receber o batismo é a , não podendo uma criança exercer fé, logo, não poderá receber este sacramento. Este argumento é baseado, geralmente no texto de Marcos 16:16: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado". Defesa: Por esta mesma argumentação devemos concluir que todas as crianças, que não podem exercer  fé, isto é, crer, estão condenadas? O que acontece se aplicarmos este mesmo tipo de interpretação absurda ao texto de II Ts 3:10? "Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma". Por esta interpretação grotesca equivaleria dizer o seguinte: Se a criança não trabalha, ou não quer trabalhar, também não deve comer, não deve ser alimentada. Isto é tão absurdo quanto pode ser ademais o texto de Marcos está dizendo que quem não crer será condenado e não que a fé é condição para o batismo. Esta interpretação não tem sustentação em si mesma.

Existe ainda outra refutação hilária: O que garante que a criança batizada na infância seguirá a Cristo quando adulta? Defesa: O que garante que os adultos batizados seguirão sempre a Cristo? Quantas pessoas que conhecemos foram batizadas já adultas e hoje estão completamente afastadas de Cristo e do evangelho?

Diante disso, cremos que as crianças, filhas  ou tuteladas por  crentes, não somente podem como devem receber o batismo.

"Fazer parte da Igreja visível não significa ser salvo, obrigatoriamente. São salvos os que estão na Igreja invisível, os Eleitos. Muitos israelitas não se salvaram, apesar de terem recebido o Sacramento da Circuncisão. Assim também,  muitos cristãos não se salvarão, mesmo que tenham recebido o batismo,  na infância ou quando adultos. O batismo não salva, mas inclui no Pacto, no povo de Deus, tanto quanto o fazia a Circuncisão".

Márcio Melânia
http://lattes.cnpq.br/5648348525008521

"Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados,
sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco."
 (2 Coríntios 13 : 11)

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FW: {TextosReforma: 2011} Dispensacionalismo


 

Dispensacionalismo

do TEOLOGIA REFORMADA de Taciano Cassimiro

ORIGEM E DIVULGAÇÃO

O movimento chamado de dispensacionalismo surgiu em meados do século passado na Inglaterra, através do grupo que levou o nome de Irmãos ou Irmãos de Plymouth, por ter nesta cidade seu quartel general. Seu principal expoente foi John Nelson Darby (1800-1882), um irlandês que, insatisfeito com a Igreja Anglicana, da qual era ministro (cura), juntou-se ao grupo dos Irmãos em 1827. Por volta de 1830 Darby já era o principal líder dos Irmãos, dada a sua capacidade de organização e a sua proficiência em escrever. 

I.  Características Principais Desse Grupo:

a) Ênfase dada às reuniões semanais de estudo bíblicos e celebração da Ceia do Senhor, associada a um desprezo por qualquer tipo de organização denominacional ou forma de culto. Os Irmãos rejeitavam qualquer sistema clerical ou de classe ministerial, insistindo que estavam regressando à forma simples de culto e governo eclesiástico dos apóstolos. 

b) Embora não fosse o tema principal no começo, não tardou para que a doutrina da volta de Cristo ocupasse o centro dos estudos e, com ela, surgisse com grande ímpeto o desenvolvimento de um novo modelo de interpretação bíblica. Darby e seus seguidores passaram a alardear que haviam "redescoberto verdades" que foram desconhecidas ao longo de toda a história, desde os dias apostólicos, as quais teriam ficado à margem do ensino tradicional do Cristianismo histórico. Fazia parte desse novo modelo àquilo que passou a ser chamado até hoje, nos círculos dispensacionalistas, de "interpretação literal das profecias" e de que devemos também nos ocupar neste trabalho. 

II. A Propagação em Relação ao Dispensacionalismo:

Esse novo modo de interpretação bíblica, especialmente de profecias, ganhou popularidade rapidamente nos círculos evangélicos, graças ao grande trabalho de divulgação que dele foi feito pelo próprio Darby e por seus seguidores, e graças, principalmente, ao grande volume de livros, panfletos e artigos sobre o assunto que foram, desde então, escritos e ainda continuam sendo. Grandes movimentos, como o das Conferências Evangelísticas de Dwight L. Moody, eram virtualmente controlados por dispensacionalistas. A escola fundada por Moody, que passou a chamar-se Instituto Bíblico Moody, assim como diversas outras escolas teológicas, como o atual Seminário Teológico de Dallas, passaram a ser verdadeiros centros de doutrinação dispensacionalistas, nos Estados Unidos. 

O mesmo se dá hoje no Brasil, especialmente com os institutos bíblicos chamados de interdenominacionais, de modo geral. Outro fator que muito contribuiu para a difusão do pensamento dispensacionalistas foi à publicação da chamada Bíblia de Referência de Scofield, em 1909, a qual já vendeu mais de dois milhões de cópias desde então. A Bíblia de Scofield ou, mais corretamente, a Bíblia de Referência de Scofield é, na verdade, uma edição da Versão King James, com anotações feitas por Scofield, na linha de interpretação dispensacionalistas.

William E. Cox afirma que "o pai do dispensacionalismo, Darby, assim como seus ensinos, provavelmente não seriam conhecidos hoje, não fosse por seu devoto seguidor, Scofield".

Cyrus Ingerson Scofield (1843 - 1921) nasceu nos Estados Unidos (morreu aos 78 anos) e foi, até sua conversão em 1879 (36 anos), advogado e político. Três anos após sua conversão foi ordenado ministro congregacional, sem qualquer formação teológica, e foi assim, sem formação teológica, que escreveu sua Bíblia de Referência. 

Os estudiosos e historiadores do Cristianismo são unânimes em afirmar que a Bíblia de Scofield trouxe benefícios de uma certa ordem, pois estimulou o interesse pelo estudo bíblico e o respeito pela autoridade da Palavra de Deus, numa época em que a Alta Crítica e a teologia liberal atacavam o Livro Sagrado. Scofield era, de qualquer forma, um conservador, no sentido em que acreditava na inspiração e na inerrância da Bíblia. Mas não resta dúvidas de que trouxe também seríssimos prejuízos à Igreja de Cristo, na medida em que, desviando-se da linha histórica de interpretação bíblica, popularizou e erigiu à posição de quase dogma, em muitos círculos cristãos, uma hermenêutica falha e um conceito falso a respeito do modo de Deus tratar com os homens, a respeito da salvação e, especialmente, a respeito da Igreja de Cristo.

III. O Dispensacionalismo Não Está Ligado a UM Grupo em Particular:

O Dispensacionalismo não se constitui propriamente numa denominação e, embora tenha surgido com os Irmãos, que são hoje um pequeno grupo, não se restringe a eles nem a qualquer denominação, em particular. Há dispensacionalistas hoje em, praticamente, todos os ramos do Protestantismo e até naqueles onde a sua presença representa uma negação de certos princípios doutrinários distintivos, como no caso do Presbiterianismo, por contraditório que possa parecer. 

Acreditamos que não há presbiterianos dispensacionalistas, mas certamente há dispensacionalistas presbiterianos. No primeiro caso estamos usando a palavra "presbiteriano" com conotação teológica e, no segundo, com conotação denominacional. 

IMPORTANTE: O Dispensacionalismo tem sido geralmente, confundido com o Pré-milenismo, mas não são a mesma coisa. Todo dispensacionalista é, necessariamente, pré-milenista, mas nem todo pré-milenista é necessariamente dispensacionalista.
É preciso dizer, também, que há pelo menos Três Tipos de Dispensacionalismo, com marcantes diferenças entre si:

1. Ultra-Dispensacionalismo, desenvolvido por E. W. Bullinger (1837-1913), que faz distinção entre a "Igreja Apostólica Pentecostal" do livro de Atos e a "Igreja-Mistério Paulina", das Epístolas da Prisão, que ele chama de "igreja corpo" e "igreja noiva", respectivamente. Bullinger ainda faz distinção entre essas duas igrejas e a de Mateus 16, que Jesus chamou de "minha igreja" e que, segundo ele, será uma igreja judaica remanescente no futuro. O ultra-dispensacionalismo é, segundo Allis, o método levado ao extremo ou às suas últimas conseqüências. OBS: Para Bullinger há três tipos de igrejas.

2. Dispensacionalismo Clássico: é representado por C. I. Scofield e por Lewis S. Chafer, fundador do Seminário de Dallas, e segundo o qual o plano de Deus para com Israel é puramente terreno e para com a Igreja, celestial; há dois modos de salvação (obras no VT e fé no NT) e, segundo Chafer, dois Novos Pactos. Este foi o tipo de dispensacionalismo que prevaleceu desde o século passado até meados deste (1800 a 1950).

3. Neo-Dispensacionalismo: é agora defendido por homens como Charles C. Ryrie, John F. Walvoord e J. Dwight Pentecost, segundo o qual Israel e a Igreja se ajuntarão após o milênio; há um só modo de salvação em ambos os Testamentos (fé) e um só Pacto. É a linha atual do Seminário de Dallas. 

IV. As Sete (oito) Dispensações:

Aliás, vem daí, desse ensino, o termo "dispensacionalismo" pelo qual o sistema é conhecido. Embora a palavra "dispensação" signifique literalmente "administração" ou "mordomia" derivada de – oikonomia Ef. 3:2), ela é empregada pelos dispensacionalistas para designar:

"Um período de tempo durante o qual o homem é testado quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus", segundo a própria definição de Scofield (que é a mesma do "Dicionário Aurélio"). É dito que cada uma dessas dispensações termina com o fracasso humano e o inevitável juízo de Deus. Diz Scofield: 

Esses períodos se distinguem nas Escrituras por uma mudança no método divino de tratar a humanidade, ou parte dela, no que se refere a estas duas grandes verdades: pecado e responsabilidade humana. Cada Dispensação pode ser considerada como uma prova para o homem natural e termina sempre em juízo, demonstrando assim o seu completo fracasso. Cinco dessas dispensações, ou períodos de tempo, já se consumaram. Estamos vivendo na sexta, cujo término, segundo tudo faz crer, está para breve. A sétima, ou a última, ficará para o futuro - É o Milênio.
 
V. As Chamadas Dispensações São as Seguintes:
 
1ª) Da Inocência, que começou com a criação de Adão, e terminou com a sua expulsão do Éden;
2ª) Da Consciência, que começou com a expulsão do Jardim (consciência do bem e do mal) e terminou com o dilúvio;
3ª) Do Governo Humano, que começou com o dilúvio e terminou com a confusão das línguas;
4ª) Da Promessa, que começou com Abraão e terminou com a escravidão no Egito;
5ª) Da Lei, que começou no Sinai e terminou com a expulsão de Israel e Judá da terra de Canaã;
6ª) Da Graça, a atual, que começou com a morte de Cristo e terminará com o arrebatamento da Igreja;
7ª) Do Reino, que começará com a Segunda Vinda de Cristo e terminará com o juízo do Grande Trono Branco - é também chamada de Dispensação do Milênio.

VI. A Hermenêutica Dispensacionalista:

a) Em Relação à Salvação Durante os Períodos: Vetero e Neo-Testamentário:

Este é um dos pontos mais delicados do sistema dispensacionalista e aquele em que tem havido mais hesitação e duplicidade. Embora neguem que o sistema ensine a salvação à parte da fé, não se pode deixar de entender isso nas declarações de seus expositores, pelo menos os do dispensacionalismo clássico. Há até quem alegue que as sete dispensações acabam criando sete diferentes planos de salvação. A rígida distinção entre Israel e Igreja e lei e graça leva o dispensacionalista a conclusões indesejáveis, mas inevitáveis, no que diz respeito ao modo de salvação. 

Embora dispensacionalistas atuais reclamem que os críticos desse sistema são injustos ao atribuir-lhe dois diferentes modos de salvação, como na seguinte citação de Ryrie feita por Gunn, segundo a qual "nem os mais antigos nem os mais novos dispensacionalistas ensinam dois modos de salvação, e não é justo tentar fazê-los ensinar assim repetimos:- não se pode entender de outra forma as palavras de L. S. Chafer, (Ryrie foi aluno de Chafer no Seminário de Dallas) que passamos a citar": 

Deve-se observar aqui uma distinção entre os homens justos do Velho Testamento e os justificados de acordo com o Novo Testamento. De acordo com o Velho Testamento, os homens eram justos porque eram verdadeiros e fiéis na guarda da Lei Mosaica. Os homens eram, portanto, justos por causa de suas próprias obras para com Deus, ao passo que a justificação do Novo Testamento é a obra de Deus para com o homem, em resposta à fé (Rom. 5: 1).
 
Os ensinos do reino, como a Lei de Moisés, são baseados em um pacto de obras. Os ensinos da graça, por outro lado, são baseados num pacto de fé. Em um dos casos, a justiça é requerida; no outro, ela é provida, quer imputada e comunicada ou, então, operada interiormente (infundida). Uma é uma bênção a ser conferida por causa de uma vida perfeita, a outra é uma vida a ser vivida por causa de uma bênção perfeita já recebida.
Bem antes de Chafer, Scofield já havia escrito em sua "Bíblia Anotada" as seguintes palavras: "Como uma dispensação, a graça começa com a morte e ressurreição de Cristo. O ponto de teste não é mais a obediência legal como à condição de salvação, mas a aceitação ou rejeição de Cristo, com as boas obras como fruto da salvação". 

A dedução lógica extraída desta afirmação é de que, antes da "Graça" as pessoas eram salvas pela obediência à lei, mas agora, pela aceitação de Cristo. A expressão "não é mais" indica que antes o era, no entender de Scofield. 

Perguntas Para os Dispensacionalistas:

1. Se a salvação era alcançada através da obediência a Lei, e muitos foram salvos por obedecer a Lei, qual a necessidade de haver uma nova dispensação? E outra, qual a necessidade da vinda de Cristo?
2. Se o homem no seu estado original, ou seja, no seu estado perfeito pecou, qual sentido faz esse homem caído continuar a ser testado? (Pois não é este o propósito das dispensações?)

3. É certo que alguns dispensacionalistas já admitem que os crentes do V.T., foram salvos pela Graça. Mas, isto não seria contraditório, já que a Graça segundo eles mesmos só aparecem a partir do N.T.?

4. Na concepção Reformada todos os salvos, em todas as Épocas, quer passada, presente ou futura, são somente em Cristo (Lc.24: 13-35). No V.T., os sacrifícios já representavam Cristo. Em nenhum lugar das Escrituras fala de alguém que foi salvo porque cumpriu com a Lei. Isto significa que a para alguém ser salvo, necessariamente houve a Graça por parte de Deus, assim também, hoje ainda há a Lei de Deus.

b) O Conceito de Israel e Igreja:

1. O texto de I Cor. 10: 32 diz: "Não vos torneis causa de tropeço nem para judeu, nem para gentios, nem tão pouco para a igreja de Deus".

A simples menção de três grupos aí é suficiente para um dispensacionalista concluir que a própria Bíblia divide a humanidade em três partes distintas e se dirige a essas partes (grupos) separadamente, de maneira sistemática, e que esse texto fornece a "chave para todo estudo e interpretação da Bíblia". 

"Manejar bem a palavra da verdade" (II Tim. 2:5), conforme a interpretação dispensacionalista, é estudar a Bíblia desta maneira, dispensacionalmente. M. R. DeHaan, um pregador de rádio que muito contribuiu para a divulgação desse sistema nos Estados Unidos, relacionou MANEJAR com Cortar de Maneira Correta, e relacionou o termo aos sacrifícios do Antigo Testamento.
:
Quando o ofertante trazia um cordeiro ou outro sacrifício qualquer, o mesmo era dividido em três partes (exceto no caso da oferta queimada, que era posta inteira sobre o altar). Uma parte era oferecida a Deus, outra parte era oferecida àquele que trouxera a oferta, enquanto que a terceira partilha cabia ao sacerdote. É dessa prática que foi emprestada a expressão "que maneja bem". Significa simplesmente, dar a cada qual o que lhe pertence de direito. Ora, no estudo da Bíblia você deve ser muito cauteloso em dar à Igreja aquilo que pertence ao Corpo de Cristo, a Israel aquilo que pertence a Israel, e aos gentios aquilo que pertence aos gentios. Assim como o sacrifício era dividido ou cortado em três partes, também a Bíblia informa-nos que existem três espécies de povos neste mundo na presente dispensação.

Analisando esse sistema de interpretação, William E. Cox diz que alguém que tomasse cada versículo da Bíblia e o atribuísse a uma dessas três categorias - judeu gentio e cristão, e publicasse a Bíblia em três seções separadas, estaria prestando um serviço valioso, se esse fosse o método correto de se manejar (dividir) bem a Palavra de Deus.

INFELIZMENTE, noto que todos os livros de Historia da Igreja, relatam o inicio da Igreja a partir do livro de Atos, ou seja, após o Pentecostes. Todavia, na concepção Reformada a Igreja é fruto desde a criação. Isso não significa que todos os autores são dispensacionalistas, mas, penso que os mesmos deveriam trazer pelo menos uma nota de roda pé, mostrando a concepção reformada em relação à concepção que a mesma tem do inicio da Igreja.

__________________________
Rev. José Roberto de Souza é Pastor da Igreja Presbiteriana do Ibura, Recife/PE; Professor e Coord. do Departamento de História da Igreja no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN); Especialista em História da Religião e da Arte (UFRPE); Mestrando em Teologia e História.

Extraído do site:  Eleitos de Deus



Márcio Melânia
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